A pecuária de Mato Grosso conseguiu reorganizar suas vendas após o tarifaço dos Estados Unidos, mas a recuperação não chegou ao produtor na intensidade esperada. A avaliação é do presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, que cobra maior atuação do Ministério da Agricultura na defesa do setor.

Em entrevista ao Rdnews, o dirigente relatou que frigoríficos suspenderam compras logo após o anúncio das tarifas pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, a arroba perdeu quase 15% do valor e chegou a R$ 250 e R$ 260. No momento da entrevista, estava entre R$ 290 e R$ 305, patamar que considerava abaixo do esperado para o período.

Ribeiro Junior afirmou que a demanda internacional permitiu redirecionar parte das vendas para países como México, Argentina e Uruguai. Para ele, ampliar destinos é necessário para reduzir a dependência de grandes compradores. A expectativa de melhora no fim do ano também estava ligada ao consumo interno, responsável por 75% do mercado consumidor, conforme informou.

O presidente da Acrimat defendeu campanhas internacionais do governo para valorizar a carne brasileira e apresentar as práticas ambientais do setor. Também pediu maior estabilidade em juros e impostos, além de segurança no campo.

Segundo o dirigente, Mato Grosso tem 32,5 milhões de cabeças de gado. Ele apontou genética, sanidade e manejo como instrumentos para elevar a produtividade e destacou a recuperação de pastagens como prioridade. Em sua estimativa, o estado ainda possui mais de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas.

Ribeiro Junior também ressaltou a necessidade de assistência aos pequenos criadores. De acordo com ele, cerca de 80% dos pecuaristas mato-grossenses possuem até 250 cabeças e parte enfrenta dificuldades de orientação, regularização fundiária e acesso aos frigoríficos.