O diagnóstico de câncer de mama da jornalista e influenciadora Bruna Furlan de Nóbrega, aos 24 anos, traz atenção à doença entre mulheres jovens neste Outubro Rosa. Neta do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, ela buscou atendimento ao notar uma alteração na mama e recebeu a confirmação no início deste ano.

Segundo o patologista Carlos Aburad, o aumento do risco com a idade não deve levar à desvalorização de sintomas em pacientes mais novas. Nódulos e outras mudanças persistentes precisam de avaliação médica, independentemente da faixa etária.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, ou 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença é a mais incidente entre brasileiras e corresponde a 30% dos novos casos de câncer no público feminino.

Um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) identificou 1.441 mulheres com menos de 40 anos entre 12.569 pacientes atendidas de 2009 a 2020. A participação dessa faixa etária nos diagnósticos da instituição subiu de 7,9% para 21,8% no período.

O resultado se limita às pacientes do ICESP e não indica predominância da doença entre jovens. Conforme o INCA, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.

Excesso de peso, sedentarismo, consumo de álcool, fatores hormonais e reprodutivos estão entre os fatores associados à doença. Predisposição genética e histórico familiar também participam de parte dos casos.

Aburad explica que a maioria dos nódulos em mulheres jovens é benigna, mas a diferenciação exige investigação. Além de caroços, mudanças persistentes no formato da mama, retrações, alterações na pele ou no mamilo e secreção espontânea, sobretudo com sangue, devem motivar atendimento. O patologista ressalta a importância do diagnóstico precoce.