Coceira que não passa, feridas que não cicatrizam e sangramento vaginal fora do habitual devem ser investigados. Embora não signifiquem necessariamente câncer, esses sinais podem estar associados a tumores de vulva e vagina, doenças raras que também podem se desenvolver sem sintomas.

Segundo Rafael Moura, cirurgião oncológico da Oncomed-MT, o sangramento indolor é a manifestação mais comum do câncer de vagina, canal interno da genitália feminina. Corrimento anormal, alterações urinárias, dor pélvica e sensação de massa também podem ocorrer.

Na vulva, parte externa da genitália, os sinais incluem coceira persistente, mudanças na cor ou textura da pele e feridas que não cicatrizam. Esse tumor é mais frequente após a menopausa. Nos dois casos, a doença pode ser identificada em exames de rotina ou durante a investigação de outras alterações.

A avaliação começa pelo exame ginecológico. Se houver lesão suspeita, uma biópsia pode confirmar ou descartar o diagnóstico. Após a confirmação, explica Moura, tomografia e ressonância magnética podem ajudar a determinar a extensão da doença.

Segundo estimativas do Global Cancer Observatory (Globocan), o câncer de vagina teve cerca de 18,8 mil novos casos e 8,2 mil mortes no mundo em 2022. A Ásia concentrou 54% dos diagnósticos; América Latina e Caribe responderam por 8,6%, com 1.618 casos.

Entre os fatores associados aos tumores estão envelhecimento, infecção persistente por HPV de alto risco e tabagismo. Moura também aponta lesões crônicas genitais no câncer de vulva e histórico de câncer de colo do útero ou radioterapia pélvica no de vagina.

A vacinação contra HPV e o acompanhamento ginecológico estão entre as medidas de prevenção e identificação de alterações. O tratamento depende do tipo e estágio do tumor, podendo reunir cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A cirurgia é uma das principais opções para a vulva; na vagina, radioterapia e cirurgia estão entre as estratégias utilizadas.

A campanha Setembro em Flor amplia a conscientização sobre cânceres ginecológicos e reforça a investigação de alterações persistentes.