A jornalista, socióloga e advogada Andhressa Barboza, que trabalha com comunicação política, avalia que o contraste entre a agitação eleitoral nas redes e a aparente frieza nas ruas de Mato Grosso não significa necessariamente desinteresse. Em artigo, ela sugere que o silêncio pode refletir cautela diante da polarização, além de cansaço ou reflexão.
A autora argumenta que a disputa pelo governo, pelas duas vagas no Senado e pelas cadeiras de deputado federal e estadual deveria estimular uma discussão sobre escolhas. Na avaliação dela, porém, o debate tem cedido espaço à disputa de impressões. Ao mencionar mudanças nas chapas e nomes citados em investigações que ocupam suplências, defende que perguntar sobre critérios não equivale a condenar.
Barboza também critica o uso de vídeos editados quando os recortes substituem o contexto e limitam o espaço para perguntas e respostas. Ela ressalva que o formato pode informar, mas questiona campanhas que tratam apenas o trecho selecionado como verdade.
Para a autora, a comunicação política pode explorar ressentimentos e estimular julgamentos diferentes sobre suspeitas envolvendo aliados e adversários.
Ao abordar pesquisas, ela lembra que, na véspera do primeiro turno de 2024 em Cuiabá, a Quaest apontou Eduardo Botelho numericamente à frente, com 36% dos votos válidos. Ele terminou em terceiro, fora do segundo turno.
Barboza ressalta que essa diferença não demonstra ocultação de votos nem comprova efeito da polarização. Seu argumento é que pesquisas registram um momento, não antecipam o resultado definitivo. Por isso, sustenta que nenhum candidato deve tomar o silêncio do eleitor como sinal de apoio.




