Um memorando assinado pelo Ministério da Agricultura e pela empresa marroquina OCP Nutricrops estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil em 2026/2027. A Aprosoja MT, que participou da missão ao Marrocos, avalia que o entendimento pode aumentar a segurança do abastecimento e favorecer as condições de compra em Mato Grosso.

O estado lidera o consumo nacional de fertilizantes e demanda fósforo para manter a fertilidade dos solos do Cerrado. Para a associação, uma oferta maior pode trazer previsibilidade ao planejamento das safras e diminuir a exposição às oscilações internacionais.

A entidade ressalta, porém, que os produtores enfrentam perda de poder de compra. Mesmo com a queda recente dos preços dos fosfatados, a quantidade de soja necessária para comprar o fertilizante MAP em Sorriso está 22,4% acima da média histórica.

Segundo a Aprosoja MT, as dificuldades financeiras já motivam reduções na aplicação de fósforo, com possível impacto na produtividade das próximas safras. O diretor administrativo Diego Bertuol defende que a segurança de abastecimento seja acompanhada de preços competitivos, capazes de viabilizar novos investimentos em fertilidade.

O memorando também abre possibilidades de cooperação em pesquisa, nutrição vegetal, logística e armazenamento.

Na missão, liderada pelo ministro da Agricultura, André de Paula, a associação defendeu ampliar as vendas de milho e farelo de soja ao Marrocos. No último ano, Mato Grosso exportou aproximadamente 1,37 milhão de toneladas de milho ao país, cerca de três quartos do total brasileiro destinado àquele mercado. Já as compras de farelo mato-grossense vêm diminuindo, conforme a entidade.

Além de Bertuol, representaram a Aprosoja MT Jorge Giacomelli, segundo diretor administrativo, e Ilson Redivo, vice-presidente da Região Norte. A programação incluiu seminário empresarial em Casablanca, reuniões em Rabat e visita ao complexo industrial da OCP Nutricrops em Jorf Lasfar.