Argentina, Chile e Colômbia anunciaram, em menos de três meses, medidas para endurecer suas políticas migratórias. As iniciativas incluem restrições de entrada, propostas de ampliação da detenção e operações de expulsão, em um cenário de alinhamento dos três governos ao presidente americano Donald Trump.
No Chile, José Antonio Kast anunciou em 1º de junho um plano de retorno voluntário para imigrantes sem documentação, com possibilidade de solicitar posteriormente nova entrada regular. Depois, apresentou propostas para ampliar de cinco para 60 dias a detenção anterior à expulsão, com possibilidade de prorrogações, e estender a definição de tráfico de migrantes.
Na Argentina, Javier Milei assinou em 29 de julho um decreto para impedir a entrada ou expulsar estrangeiros que promovam mensagens de ódio, discriminação ou violência contra argentinos por sua nacionalidade, ou que profanem símbolos nacionais. Dias antes, ele havia acusado, sem provas, México e Brasil de participação em uma campanha contra a Argentina. Ambos negaram.
Na Colômbia, Abelardo de la Espriella anunciou em 24 de agosto operações imediatas para expulsar imigrantes indocumentados ou que cometessem crimes.
Ouvidos pela CNN, os professores Patricio Navia, da Universidade de Nova York, e Lucas Martínez-Villalba, do Tecnológico de Monterrey, apresentaram interpretações diferentes. Navia avalia que as medidas respondem a desafios locais, não necessariamente a uma tentativa de copiar Trump. Martínez-Villalba considera que também pode haver busca por apoio político e comercial dos Estados Unidos.
Os resultados permanecem incertos. Argentina e Chile não responderam aos questionamentos da CNN. A agência migratória colombiana informou que ainda não tinha balanço consolidado, mas relatou cinco expulsões em Bucaramanga em 28 de agosto e uma deportação em Cundinamarca.
Navia ressalta os custos e a complexidade das expulsões. Martínez-Villalba observa que não há comprovação, nesses países, de que imigrantes elevem a criminalidade e representem o alto custo aos serviços públicos alegado para justificar o endurecimento.




