Maurício Munhoz Ferraz, assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia, defende o fortalecimento dos mecanismos de controle em vez da aposta em figuras apresentadas como salvadoras da política. O posicionamento está em artigo escrito com Sara Nadur Ribeiro.
Como ponto de partida, Ferraz relata uma sessão do Supremo Tribunal Federal na terça-feira, 15 de setembro, marcada, segundo o texto, por mais de cinco horas de discussões e acusações entre ministros. Uma questão de ordem teve votação de 4 a 3 antes de um pedido de vista. O autor associa a crise ao caso de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que, conforme o artigo, está preso desde março.
O texto menciona prejuízo estimado pela investigação em R$ 17 bilhões. Também cita um relatório da Polícia Federal, tornado público no início daquele mês, que descreveria encontros com um ministro do STF e contrato milionário com o escritório da esposa dele, além de referências ao procurador-geral e ao diretor-geral da PF.
Ferraz menciona ainda reportagens sobre remessas do banqueiro a um fundo que financiava um filme sobre Jair Bolsonaro, após cobranças do senador Flávio Bolsonaro. O autor ressalva que essas informações não constituem condenação e que há versões, defesas e contraditório a considerar.
Na avaliação dele, crises dessa natureza favorecem discursos populistas que convertem desconfiança em rejeição às instituições. A substituição da fiscalização pela confiança pessoal, argumenta, reduz a cobrança sobre quem é tratado como herói.
Como alternativa, Ferraz propõe investigação sem blindagem, julgamento sem espetáculo e transparência sem seletividade. Ao mencionar o retorno dos eleitores às urnas no início de outubro, recomenda cautela com candidatos que prometem resolver os problemas sozinhos e defende regras aplicáveis inclusive às autoridades responsáveis por fazê-las cumprir.




