O governo brasileiro voltou a manifestar discordância com as tarifas impostas pelos Estados Unidos durante reunião com o Escritório do Representante Comercial norte-americano (USTR), nesta segunda-feira (31). Para o Brasil, as medidas são incompatíveis com as regras multilaterais de comércio.
A videoconferência durou aproximadamente 35 minutos e contou com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em nota conjunta divulgada após o encontro, os ministérios afirmaram que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas investigações conduzidas com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana não correspondem às práticas brasileiras. O governo classificou como injusto o tratamento discriminatório adotado contra o país.
Foi o primeiro contato mais prolongado entre as autoridades após dois meses. Antes da implementação dos últimos tarifaços, os dois lados haviam participado de várias rodadas de negociação.
Fontes do governo brasileiro não esperavam grandes avanços nessa reunião, mas avaliaram positivamente a manutenção dos canais de diálogo. Segundo fontes ouvidas pela CNN, o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump ajudou a reduzir a tensão e permitiu retomar as negociações sem abandonar pontos considerados importantes pelo Brasil.
Ainda assim, o lado brasileiro mantém reservas quanto à possibilidade de avanços antes das eleições.
Os países concordaram em realizar novas conversas ministeriais, em data oportuna, para avaliar as tratativas bilaterais e as reuniões técnicas previstas para as próximas semanas. Há abertura, inclusive, para um encontro presencial. Na nota, o Brasil reafirmou disposição para dialogar com as autoridades norte-americanas.




