A ginecologista Bruna Ghetti, especialista em mulheres 40+, defende que a menopausa seja acompanhada com atenção individualizada, sem tratar o sofrimento como consequência inevitável da idade. Em sua coluna, ela sustenta que o cuidado deve considerar a rotina, o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.
A autora relata receber pacientes com dificuldades para dormir, cansaço, ganho de peso, irritabilidade e queixas de memória. Ondas de calor, redução da libido, ressecamento vaginal e dor nas relações também aparecem entre os sintomas descritos por ela.
Segundo Ghetti, essas mudanças podem começar anos antes da última menstruação, durante a perimenopausa, e nem sempre surgem simultaneamente. Ela explica que a redução do estrogênio pode repercutir em diferentes partes do organismo, como ossos, músculos, coração e trato urinário.
A ginecologista argumenta que resultados de exames, isoladamente, não explicam toda a experiência da paciente. Em sua avaliação, é necessário investigar sono, alimentação, exercícios, saúde emocional, sexualidade e riscos cardiovasculares, metabólicos e oncológicos. O cansaço, exemplifica, pode envolver oscilações hormonais, alterações da tireoide, deficiência de nutrientes ou mais de uma causa.
Ghetti afirma que a terapia hormonal, quando indicada, pode ajudar a controlar sintomas e contribuir para a proteção dos ossos. Ressalta, porém, que idade, doenças anteriores e fatores de risco devem orientar a escolha, com reavaliação durante o acompanhamento.
Para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios, a autora destaca alternativas não hormonais e mudanças de rotina. Exercícios de força, alimentação adequada, sono e controle do estresse são apresentados como componentes do cuidado.
A colunista também defende uma abordagem sem constrangimento para queixas íntimas. Para ela, longevidade deve significar preservar autonomia, força, saúde mental e qualidade de vida, e não apenas acrescentar anos ao calendário.




