Câmeras de monitoramento remoto e pesquisas científicas registraram o cachorro-vinagre em três áreas de conservação do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, em Mato Grosso. A espécie, considerada vulnerável pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi identificada no Parque Sesc Serra Azul, no Cerrado, e na RPPN Sesc Pantanal e no Parque Sesc Baía das Pedras, no Pantanal.

As três áreas somam 117 mil hectares e integram uma iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac. Além da conservação da fauna, abrigam atividades ambientais, científicas, culturais e educativas.

Com comprimento entre 57 e 75 centímetros, o cachorro-vinagre está entre os menores canídeos brasileiros. Tem corpo alongado, pernas e focinho curtos e orelhas pequenas e arredondadas. Seu nome popular está associado ao odor forte da urina, semelhante ao de vinagre.

Uma das pesquisas que documentaram a espécie contou com participação da Fundação Oswaldo Cruz, do Instituto Oswaldo Cruz e do Museu Nacional. O trabalho foi publicado na revista Notas sobre Mamíferos Sudamericanos.

Segundo o pesquisador Luiz Flamarion, do Museu Nacional, a biodiversidade e a proteção ambiental ajudam a explicar a presença do animal no Parque Sesc Serra Azul. Ele destaca que a espécie é furtiva, dificilmente observada e costuma caçar em bandos, podendo capturar presas grandes.

O parque protege 5 mil hectares em Rosário Oeste. Para seu gestor, Vinicius Almeida, a ocorrência do cachorro-vinagre é um indicador da qualidade ambiental da área.

Embora se alimente principalmente de pequenos vertebrados, a caça coletiva permite capturar animais como tatus, cutias, pacas e catetos. O pouco conhecimento sobre suas populações em vida livre é um dos desafios à conservação, o que torna os registros remotos importantes para estudar sua ocorrência e comportamento.

No Parque Sesc Serra Azul, já foram registradas 15 espécies ameaçadas de extinção, entre elas o cachorro-vinagre, o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o gavião-real e a onça-pintada.