A maneira como gestores reagem aos erros pode ajudar a explicar por que uma equipe deixa de sugerir ideias e assumir iniciativas. Essa é a avaliação da psicóloga e empreendedora Cynthia Lemos, fundadora da Grandy Psicologia Empresarial, em coluna sobre comunicação e liderança.
A autora argumenta que o silêncio dos profissionais nem sempre representa desinteresse. Em sua análise, ele pode ser uma resposta aprendida diante de cobranças que provocam constrangimento ou exposição negativa. Nessas condições, o trabalhador passaria a evitar riscos para não ser repreendido.
Cynthia relata ouvir gestores insatisfeitos com a falta de iniciativa dos funcionários e propõe uma reflexão sobre o que essas pessoas escutam quando erram. Segundo ela, um tom inadequado pode despertar uma postura defensiva e impedir que uma orientação tecnicamente correta resulte em aprendizado.
A psicóloga também critica o uso da mesma intensidade emocional em situações distintas, como urgências operacionais, conversas de carreira e reconhecimento. Na avaliação dela, essa prática leva a equipe a prestar mais atenção ao humor do gestor do que ao conteúdo da mensagem.
Outro ponto abordado é a diferença entre feedback e cobrança. Para Cynthia, o primeiro ajuda o profissional a perceber aspectos que ainda não identifica sozinho e indica caminhos de desenvolvimento; a segunda exige uma entrega esperada. Embora considere ambos necessários, ela sustenta que relações baseadas apenas em cobrança enfraquecem o pertencimento.
Como alternativas, a autora sugere explicar a razão das perguntas, investigar dificuldades antes de concluir o que ocorreu e fazer uma pausa antes de responder por impulso. Também recomenda acompanhar o desenvolvimento dos funcionários e pedir à equipe uma avaliação da própria liderança.
Na visão de Cynthia, mudar esse padrão exige acompanhamento e retornos frequentes, não apenas uma conversa isolada. Comunicar melhor, ressalta, não significa abandonar a exigência, mas evitar que a emoção prejudique a orientação.




