A diretora do Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, Alessandra Bokor, avalia que a unidade, em Cuiabá, pode se consolidar como referência nacional na área. Em artigo, ela apresenta resultados do atendimento e destaca a combinação de tecnologia, profissionais especializados e assistência integral aos pacientes.

Segundo Bokor, o hospital é a primeira unidade pública mato-grossense especializada em medicina de alta complexidade. O encaminhamento começa na Central Estadual de Regulação, responsável por identificar os casos que podem ser atendidos na estrutura.

A diretora informa que, desde janeiro, foram realizadas 2.128 cirurgias de alta complexidade, sendo 77 com auxílio de robô. Entre os procedimentos estão correções de cardiopatias congênitas em crianças, cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea e neurocirurgias com neuronavegação avançada.

São ofertadas 12 especialidades cirúrgicas integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme a autora, o atendimento robótico começou pela urologia e passou a alcançar também ginecologia, cirurgia pediátrica e do aparelho digestivo.

Bokor relata que a equipe reúne cerca de 2 mil pessoas, incluindo aproximadamente 600 médicos de mais de 30 especialidades. Ela atribui à gestão do Einstein Hospital Israelita, aos protocolos e à qualificação permanente um papel central na integração dos profissionais.

A estrutura descrita possui 287 leitos: 60 de UTI, igualmente divididos entre adultos e crianças; 36 de cuidados intermediários, também divididos igualmente; e 191 de enfermaria, sendo 140 adultos e 51 pediátricos. O centro cirúrgico tem dez salas, uma exclusiva para cirurgia robótica e outra destinada à hemodinâmica.

Nos primeiros seis meses de funcionamento, segundo a diretora, 64% dos pacientes operados vieram do interior, incluindo indígenas de diferentes etnias. Cuiabá respondeu por 22% e Várzea Grande, por 14%. Para Bokor, esses resultados indicam potencial para o hospital também atuar como polo regional de conhecimento e formação profissional.