Adultos que conciliam os cuidados com filhos e familiares mais velhos enfrentam falta de tempo, exaustão física, estresse e burnout, segundo estudo publicado na Frontiers in Public Health. Os relatos envolvem pessoas de 35 a 50 anos da chamada geração sanduíche.
Dados citados pelos autores indicam que esse grupo pode ter, em média, 1,7 hora a menos de sono e 2,4 horas a menos de lazer diariamente. A sobrecarga prolongada pode favorecer ganho de peso, afetar concentração e humor e contribuir para fatores de risco ligados à hipertensão, ao diabetes e às doenças cardiovasculares.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estresse crônico e descanso insuficiente podem prejudicar a saúde física e mental. Paula Fabrega, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, explica que as demandas familiares, muitas vezes somadas ao trabalho, acabam colocando as necessidades de quem cuida em segundo plano.
A médica ressalta que autocuidado vai além das consultas: inclui alimentação adequada, atividade física, sono, lazer, descanso e convívio social. Ela destaca que dormir participa da regulação do metabolismo, do apetite e dos sistemas cardiovascular e imunológico, enquanto o lazer ajuda a amortecer o estresse.
Dores musculares, palpitações e desconfortos abdominais podem acompanhar o esgotamento. Esses sinais, porém, precisam de avaliação para investigar outras causas antes de serem atribuídos exclusivamente ao estresse.
Para as mulheres, essa rotina também pode coincidir com a transição para a menopausa. Não há evidências suficientes de que cuidar simultaneamente de filhos e pais idosos provoque ou agrave diretamente os sintomas dessa fase. Ainda assim, estresse, sono inadequado e menor atividade física podem dificultar o período.
A especialista recomenda buscar apoio e compartilhar responsabilidades para viabilizar o cuidado com a própria saúde. Manter o acompanhamento preventivo também é importante, porque hipertensão e diabetes podem avançar sem sintomas.




