A endocrinologista Mariana Ramos, da Fetal Care, em Cuiabá, defende que informações sobre câncer de tireoide distingam associações observadas em pesquisas de relações comprovadas de causa e efeito. Em artigo relacionado à campanha Setembro Azul e Rosa, ela alerta que vincular de forma simplista a doença ao peso ou à alimentação pode gerar culpa nos pacientes.
Segundo a médica, estudos epidemiológicos apontam associação entre maior índice de massa corporal e aumento do risco de câncer de tireoide. Isso, porém, não estabelece que a obesidade, por si só, cause diretamente a doença. Alterações hormonais, inflamação crônica e mecanismos metabólicos continuam sendo investigados.
Mariana ressalta que o câncer de tireoide não tem causa única. Entre os fatores de risco bem estabelecidos, ela cita exposição à radiação ionizante, especialmente na infância, histórico familiar e determinadas alterações genéticas.
Na alimentação, a endocrinologista afirma que não existe dieta capaz de garantir a prevenção desse câncer, nem fundamento científico para atribuir o diagnóstico ao consumo isolado de um alimento. Por isso, recomenda cautela com restrições alimentares e suplementos divulgados como proteção para a tireoide.
O iodo recebe atenção especial no artigo. Embora seja necessário à produção dos hormônios tireoidianos, tanto sua deficiência quanto seu excesso podem afetar a glândula. Conforme Mariana, não há evidência de que suplementação em altas doses previna o câncer de tireoide. O uso sem indicação médica, inclusive de produtos à base de algas, pode ser prejudicial.
A autora reforça a importância de alimentação equilibrada, atividade física, não fumar e controlar doenças metabólicas para a saúde geral. Essas medidas, pondera, não devem ser anunciadas como prevenção específica do câncer de tireoide.
Para a médica, a orientação deve considerar fatores de risco, condição clínica e história de cada pessoa, sem promessas milagrosas nem responsabilização do paciente pelo diagnóstico.




