O governo Donald Trump ampliou, durante seu segundo mandato, a classificação de organizações criminosas latino-americanas como terroristas. Pouco mais de um mês após retornar à Casa Branca, a administração anunciou oito designações e, nos meses seguintes, acrescentou outras cinco, com novas inclusões posteriormente.
Washington afirma que a política busca conter a entrada de drogas ilícitas nos Estados Unidos. Especialistas apontam que o enquadramento como Organização Terrorista Estrangeira abre caminho para sanções financeiras mais rigorosas, consequências legais em território americano e pode anteceder o emprego de força militar.
Entre os grupos brasileiros, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) receberam a classificação em maio passado. O secretário de Estado, Marco Rubio, atribuiu às duas facções ataques contra policiais, funcionários públicos e civis, além de atuação para além das fronteiras brasileiras.
A relação apresentada inclui organizações mexicanas como os cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación, del Golfo, del Noreste e de Juárez, além de Cárteles Unidos, La Nueva Familia Michoacana e Los Viagras. Também aparecem Tren de Aragua, MS-13, Viv Ansanm, Gran Grif, Los Choneros, Los Lobos, Los Chone Killers, Los Tiguerones, Clan del Golfo e Barrio 18.
Outra designação envolve o Cartel de los Soles, que Washington associa à cúpula chavista. Rubio acusou Nicolás Maduro e outros integrantes do governo venezuelano de liderar o grupo. A Venezuela rejeitou as acusações como “invenção” e “farsa”. Especialistas consideram que a expressão descreve supostas autoridades corruptas, mais do que uma organização criminosa estruturada.
Desde setembro de 2025, as Forças Armadas americanas realizaram pelo menos 75 ataques contra embarcações que supostamente transportavam drogas no Caribe e no Pacífico. Ao menos 227 pessoas morreram nessas operações.
Segundo o Departamento de Estado, as designações também podem apoiar ações policiais de outras agências americanas e de governos estrangeiros.




