O médico ortopedista Fellipe Valle defende que a preservação de células do próprio organismo pode integrar estratégias de saúde voltadas ao futuro. Em artigo, o professor e pesquisador em medicina regenerativa apresenta possibilidades estudadas para as células-tronco mesenquimais, sem apontar um tratamento futuro como garantido.
Segundo Valle, essas células podem ser obtidas da polpa de dentes do siso e de leite, do tecido do palato e do tecido adiposo. Materiais que seriam descartados após determinados procedimentos, argumenta, podem servir como fonte para uma reserva biológica pessoal.
O autor explica que, após a coleta, o material segue para um Centro de Processamento Celular, onde as células são isoladas, cultivadas e multiplicadas em condições controladas. O processo inclui testes de esterilidade, micoplasma, endotoxinas, contagem e caracterização celular. Depois dos controles, elas podem ser criopreservadas em nitrogênio líquido a aproximadamente 196 graus negativos.
Conforme o médico, as células mesenquimais têm capacidade de multiplicação e, em condições específicas, podem se diferenciar em células relacionadas a osso, cartilagem e gordura. Também liberam substâncias envolvidas na comunicação celular, com possível influência sobre processos inflamatórios, imunológicos, vasculares e de reparação.
Valle destaca o interesse das pesquisas em regeneração óssea, cartilagem, lesões musculoesqueléticas, feridas complexas e condições degenerativas. Na ortopedia, observa, as diferenças na capacidade de recuperação de tendões, músculos, ossos e cartilagens ajudam a explicar a busca por novas estratégias.
O pesquisador também ressalta os estudos sobre a interação entre células, estruturas de suporte e sinais biológicos. Em sua avaliação, conservar as características celulares existentes no momento da coleta pode acompanhar o desenvolvimento de uma medicina mais personalizada. Valle é diretor técnico da Regend – Centro de Terapias Regenerativas e Controle da Dor.




