A menopausa não deve ser entendida como o encerramento da vida sexual feminina. Esse é o posicionamento da ginecologista Roberta Brando em artigo no qual critica o tabu em torno do desejo da mulher madura e defende que a sexualidade seja abordada de forma rotineira e sensível nos consultórios.
Especialista em climatério, menopausa e terapia hormonal feminina, a médica afirma que ressecamento vaginal, dor durante a relação e mudanças na libido podem envolver fatores hormonais, físicos, emocionais e relacionais. Para ela, tratar essas manifestações como consequências inevitáveis do envelhecimento dificulta o cuidado.
Brando compara a abordagem social das dificuldades sexuais de homens e mulheres após os 50 anos. Em sua avaliação, enquanto os tratamentos para problemas de ereção ajudaram a consolidar a sexualidade masculina como questão de saúde, o prazer feminino ainda enfrenta constrangimento e expectativas de conformismo.
A autora ressalta que a redução do estrogênio pode causar alterações genitais e urinárias passíveis de reconhecimento e tratamento. Ela cita o alerta da Organização Mundial da Saúde de que o bem-estar sexual na menopausa é frequentemente negligenciado e sintomas podem permanecer sem atendimento.
A médica também diferencia a perda de interesse associada à dor de outras mudanças no desejo. Segundo ela, tanto reduzir essas situações à “falta de vontade” quanto pressupor que toda mulher precisa recuperar a libido desconsidera a individualidade. As alternativas terapêuticas, defende, devem considerar sintomas, histórico de saúde e preferências de cada paciente.
No artigo, Brando menciona o reconhecimento, pelo Ministério da Saúde, de que papéis rígidos de gênero, sobrecarga doméstica e crenças sobre o direito ao prazer podem prejudicar a sexualidade nessa fase.
Para a ginecologista, o enfrentamento do problema exige cuidado médico e mudança social. Sua defesa é que o fim da fase reprodutiva não seja confundido com o fim da intimidade, da identidade ou do direito ao prazer.




