A prevenção à violência contra a mulher exige ações que ultrapassem a prisão dos agressores, avalia a juíza Ana Graziela Vaz. Em entrevista ao Rdnews, a magistrada, que atua há dez anos com vítimas de violência doméstica e no julgamento de agressores, defendeu educação com perspectiva de gênero desde a escola e participação dos homens no enfrentamento do problema.
Para ela, ensinar que mulheres não são propriedade de seus parceiros e têm direito de encerrar relacionamentos é uma forma de combater a cultura machista. A juíza considera necessário implementar as políticas públicas previstas na Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, e não concentrar a resposta estatal apenas na punição.
Dados do Ministério Público de Mato Grosso citados na entrevista apontam 52 feminicídios no estado em 2025, o maior patamar desde 2020. Em Cuiabá, segundo Vaz, nenhuma mulher com medida protetiva ativa foi vítima de feminicídio naquele ano.
A magistrada ressaltou, entretanto, que os mecanismos de proteção não têm o mesmo alcance em todo o território. Conforme explicou, o botão do pânico funciona em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Cáceres. A expansão depende de estrutura, viaturas e policiais para atender e monitorar os chamados.
Vaz também defendeu os grupos reflexivos para autores de violência. Segundo sua avaliação, os participantes que concluem as atividades dificilmente reincidem. Ela sustenta que esse trabalho deve alcançar tanto reincidentes quanto homens que chegam pela primeira vez ao sistema, com foco na reflexão e na responsabilização.
Na vara, lesão corporal e ameaça são os crimes mais frequentes, informou. A magistrada destacou ainda a competência híbrida adotada em Mato Grosso, que permite tratar, no mesmo juízo, questões criminais e demandas como divórcio, pensão e indenização. Para ela, esse modelo favorece o acolhimento e evita que a mulher precise percorrer diferentes unidades judiciais.




