A cineasta Juliana Segóvia defende que o fortalecimento do audiovisual em Mato Grosso depende de incentivos, formação de público e valorização dos profissionais. Em entrevista, a mestre em Cultura Contemporânea e uma das fundadoras do Coletivo Quariterê destacou avanços no setor, mas apontou a instabilidade enfrentada por quem trabalha na área.
“A arte é trabalho também”, afirmou. Para resumir a rotina por trás das produções, definiu o audiovisual como “5% glamour, 95% trabalho”, marcado por cansaço e responsabilidades.
O curta “A Velhice Ilumina o Vento”, que acumula 25 prêmios, exemplifica esse percurso. As gravações começaram em 2019, de forma colaborativa, em cerca de cinco finais de semana consecutivos. Segundo Juliana, boa parte da equipe tinha emprego formal, e não havia recursos para realizar o filme.
A finalização ocorreu em 2022. O projeto foi contemplado no Rumos Itaú Cultural em 2019-2020, com R$ 50 mil destinados à conclusão. A cineasta atribui parte da circulação da obra à parceria com uma distribuidora de Pernambuco, alinhada à proposta social do coletivo. O curta passou por festivais como Tiradentes e Penedo.
Na avaliação de Juliana, a criação do curso de Cinema na UFMT, as cotas raciais e o crescimento dos editais públicos desde 2015 contribuíram para ampliar o acesso e diversificar as narrativas. Ela considera que a presença de profissionais negros fortalece discussões sobre a representação de mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+.
A diretora também relaciona a formação de público à educação e às exibições acompanhadas de debates. Como exemplo, citou sessões de “Mansos” no IFMT para mais de 300 alunos.
Apesar dos avanços, afirma que os editais funcionam como complemento de renda. Para manter o trabalho, profissionais também prestam serviços a instituições públicas e privadas. Ela defende mecanismos que ampliem a participação do setor privado no financiamento cultural.




