O professor e conselheiro de administração certificado Luiz Henrique Lima critica, em artigo, o discurso que atribui à legislação e aos órgãos ambientais a responsabilidade pelo baixo crescimento econômico brasileiro. Para ele, propostas apresentadas como flexibilização de normas podem enfraquecer proteções e ampliar riscos de tragédias.

O autor avalia que a defesa da redução de exigências ambientais tem sido associada à promessa de geração de riqueza e empregos, sem considerar adequadamente os efeitos sobre os ecossistemas. Em sua leitura, esse movimento ameaça uma política nacional de meio ambiente construída desde a década de 1980.

Lima cita alterações no código ambiental do Rio Grande do Sul que, segundo relata, foram aprovadas sem parecer da comissão de meio ambiente da Assembleia Legislativa. Também afirma que o Pampa sofreu, proporcionalmente, perda de cobertura vegetal maior que a Amazônia e o Cerrado. Ao abordar a Mata Atlântica na serra gaúcha, menciona a permanência de cerca de 7% da área original.

A argumentação inclui uma crítica ao uso do Produto Interno Bruto como medida suficiente da evolução econômica. O professor retoma questionamentos de economistas não ortodoxos sobre os vieses ambientais do indicador e aponta alternativas de análise, como o Índice de Desenvolvimento Humano, a contabilidade ambiental e a valoração de serviços ambientais.

Nesse contexto, menciona o “PIB Verde”, objeto da Lei 13.943/2017, como parte da busca por métricas que incorporem outras dimensões do desenvolvimento.

Ao discutir a tragédia climática no Rio Grande do Sul, Lima considera os custos humanos, econômicos e sociais, além dos investimentos multibilionários estimados para apoiar famílias e reconstruir infraestrutura. Ele utiliza a expressão “anti-PIB antiambiental” para representar, em sua análise, os prejuízos de buscar crescimento econômico com sacrifício da sustentabilidade e negligência ao princípio da precaução.