O lançamento do terceiro volume da Trilogia Cuiabana, de Silva Freire, é celebrado em artigo de Luiz Henrique Lima, professor e auditor substituto de conselheiro do TCE-MT. Ele relata ter participado, na semana do Natal, de uma programação no Cine Teatro Cuiabá dedicada à poesia, à cultura e à memória da cidade.

Intitulado “ossatura da cuiabania” — Cultura & busca de identidade, o livro foi publicado 30 anos depois dos dois primeiros volumes. Para Lima, a recuperação da obra evidencia tanto as dificuldades enfrentadas pela produção cultural fora do eixo Rio-São Paulo quanto a capacidade de resistência da criação artística ao esquecimento.

A organização dos textos é assinada por Larissa Silva Freire Spinelli, João Paulo Lacerda Paes de Barros e Maria Teresa Carrión Carracedo. O autor elogia o trabalho dos organizadores e a edição da Entrelinhas Editora, que considera uma referência de qualidade no mercado editorial brasileiro.

O artigo também destaca a apresentação de “Charivari”, documentário dirigido por Juliana Segóvia, Maurício Pinto e Sérvulo Del Castilo. A produção reúne imagens e falas de Silva Freire, elementos de seus poemas, registros de Cuiabá e aspectos de sua militância política na esquerda democrática e de sua resistência à ditadura de 1964.

Segundo Lima, tanto o livro quanto o documentário foram desenvolvidos com recursos da Lei Aldir Blanc, em ações implementadas pela Secretaria Estadual de Cultura. Ele ressalta a importância desse instrumento de apoio à produção cultural.

Ao situar Silva Freire entre poetas que deram dimensão universal às experiências de suas cidades, Lima menciona relações como as de Manuel Bandeira com Recife e Carlos Drummond de Andrade com Itabira. Na avaliação do autor, a poesia de Silva Freire é fundamental para compreender e valorizar a Cuiabá tricentenária.