Uma canção de Roberto Carlos serve de ponto de partida para Luiz Henrique Lima, auditor substituto de conselheiro do TCE-MT, defender responsabilidade nas negociações climáticas. Em artigo situado às vésperas da COP-26, em Glasgow, ele aproxima dois temas: as consequências de manifestações homofóbicas e os riscos do negacionismo ambiental.

Lima recorda “Sua estupidez”, de 1969, posteriormente gravada por Gal Costa e Alcione. A referência aos versos sobre tomar decisões sem pensar é associada pelo autor ao episódio envolvendo um atleta de vôlei com passagens pela seleção brasileira, cujo nome não é informado no texto.

Segundo o relato de Lima, o jogador publicou mensagens de conteúdo homofóbico nas redes sociais e foi suspenso, multado, demitido de sua equipe e excluído da seleção. Para o autor, a repercussão revela menor tolerância social a manifestações discriminatórias. Ele argumenta que a violência verbal pode estimular agressões físicas e não deve ser banalizada.

Ao deslocar a reflexão para o clima, Lima lembra que os alertas ambientais remontam, pelo menos, à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972. Critica posições que rejeitam evidências científicas ou favorecem interesses ligados à exploração predatória de combustíveis fósseis, ao garimpo ilegal e ao desmatamento.

Na avaliação apresentada no artigo, a COP-26 representava uma oportunidade singular — e talvez a última — para compromissos equitativos, viáveis, coordenados e imediatos de redução das emissões e mitigação dos efeitos climáticos.

Lima defende que a sustentabilidade ambiental tenha prioridade nas estratégias nacionais de desenvolvimento econômico e social. Sua conclusão é que negociadores deveriam considerar as consequências de suas escolhas, evitando reproduzir, no campo climático, a irresponsabilidade que ele identifica no episódio esportivo.