O Cerrado precisa receber maior atenção política e social, além de medidas mais eficazes de conservação. A defesa é feita por Luiz Henrique Lim em artigo que compara a visibilidade do bioma à atenção dedicada à Amazônia e ao Pantanal.
O texto cita dados atribuídos ao MapBiomas e ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), segundo os quais o Cerrado registrou, em 2023, aumento de 68% na área desmatada em relação a 2022. Foram 1.110.326 hectares de vegetação nativa suprimida, equivalentes a 61% de toda a área desmatada no Brasil naquele ano.
O autor avalia que a fragilidade da legislação ambiental e a falta de incentivos à preservação contribuem para a continuidade da devastação. Segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado ocupa cerca de 24% do território nacional e abriga espécies que não existem em outros lugares do planeta.
O artigo também ressalta sua importância para o abastecimento hídrico. O bioma reúne nascentes que alimentam as bacias do Amazonas, Paraná, Tocantins/Araguaia e São Francisco, com papel relevante para a segurança hídrica e energética.
Entre as medidas defendidas está a inclusão do Cerrado como patrimônio nacional na Constituição Federal, demanda antiga de ambientalistas e organizações da sociedade civil. O autor também propõe ampliar áreas protegidas, incentivar a produção sustentável, intensificar a fiscalização e investir em pesquisa científica.
Em sua avaliação, a devastação não deve ser tratada como uma questão apenas regional, mas como ameaça nacional com repercussões globais, que exige atuação conjunta de governos e sociedade.




