O professor e escritor Luiz Henrique Lima defende a investigação, o julgamento e a punição de todos os responsáveis pelos crimes de 8 de janeiro, incluindo não apenas os invasores das sedes dos poderes da República, mas também quem incentivou, planejou, facilitou ou financiou os ataques. A posição é apresentada em artigo no qual sustenta que a democracia tem o direito e o dever de se defender.
Na avaliação do autor, a invasão e a destruição de patrimônio histórico e artístico não constituíram um episódio isolado. Ele interpreta os acontecimentos como resultado de uma escalada antidemocrática ao longo dos quatro anos anteriores, e não como um desvio inesperado nessa trajetória.
Lima afirma que os alvos dos ataques estavam desprevenidos e praticamente sem proteção, circunstância que, em sua análise, facilitou a ação dos invasores por algumas horas. Ele rejeita a caracterização dos participantes como turistas ou excursionistas ingênuos e atribui ao grupo o propósito de atingir física e simbolicamente as instituições republicanas.
O escritor também argumenta que o fracasso dos ataques não diminui sua gravidade. Para ele, os episódios não representaram o encerramento do extremismo no país, razão pela qual considera necessária uma atuação contínua em defesa da democracia e dos direitos humanos e sociais.
Nesse contexto, Lima cobra firmeza contra manifestações de preconceito, inclusive quando apresentadas como brincadeiras homofóbicas, racistas ou misóginas. Sua avaliação é que o enfrentamento deve ocorrer tanto pela educação quanto pela prática política.
O artigo recorre à expressão em espanhol “Ni olvido, ni perdón”, que o autor relata ter visto em um muro de uma capital sul-americana, para sintetizar sua defesa da memória dos acontecimentos e da responsabilização dos envolvidos.




