O professor e conselheiro independente certificado Luiz Henrique Lima defende que a inteligência artificial seja utilizada com prudência, ética e transparência. Em artigo, ele reconhece o potencial da tecnologia para economizar tempo e recursos, mas questiona seu emprego por plataformas que priorizam o engajamento dos usuários.

Para o autor, determinados sistemas de recomendação ampliam notícias falsas, teorias conspiratórias, discursos de ódio e negacionismo científico. Ele utiliza a expressão “Burrice Artificial” para descrever esse processo e sustenta que a busca pela retenção de público favorece conteúdos capazes de provocar medo, raiva e indignação.

Lima argumenta que informações falsas sobre vacinas, por exemplo, podem ganhar mais visibilidade que estudos científicos quando geram maior número de compartilhamentos. Em sua avaliação, esse mecanismo pode prejudicar a cobertura vacinal e aumentar riscos à saúde.

O autor também critica a circulação de vídeos editados, retirados de contexto ou falsos contra professores, ambientalistas e indígenas, entre outros grupos. Segundo sua análise, práticas desse tipo intensificam preconceitos e podem causar prejuízos pessoais e profissionais.

Na avaliação de Lima, as medidas adotadas por algumas plataformas contra a desinformação são insuficientes, pois a recomendação de conteúdos duvidosos permanece vinculada ao interesse comercial. Ele associa esse cenário à polarização e ao enfraquecimento das instituições democráticas.

Como resposta, propõe educação digital nas escolas, leis que exijam transparência dos algoritmos e regulação das grandes empresas de tecnologia. Para o autor, o desafio inclui reconstruir a confiança na verdade.