Em artigo sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, Luiz Henrique Lima critica a interrupção de gestações após o diagnóstico pré-natal da condição. O professor e auditor substituto de conselheiro do TCE-MT emprega o termo “genocídio” para expressar sua avaliação dessas práticas, classificação defendida por ele no texto.
Lima reconhece avanços na inclusão e na qualidade de vida das pessoas com síndrome de Down. Cita uma estimativa de 300 mil brasileiros com a condição e afirma que a expectativa de vida alcança 63 anos, além de destacar maior participação em atividades culturais, esportivas, profissionais e acadêmicas.
Para fundamentar sua crítica, o autor menciona um estudo publicado em 1999 na revista Prenatal Diagnosis. Segundo os números apresentados no artigo, a pesquisa estimou que mais de 90% dos fetos diagnosticados com a síndrome nos Estados Unidos eram abortados.
Lima também cita pesquisa liderada por Boyd, de 2008, publicada no International Journal of Obstetrics & Gynaecology. Conforme sua exposição, as interrupções após diagnóstico pré-natal superavam 90% na Suíça e na Bélgica e chegavam a 96% na França, Alemanha, Itália e Espanha.
Outro dado mencionado é o do relatório anual de 2010 do The National Down Syndrome Cytogenetic Register, segundo o qual 91% das gestações com diagnóstico pré-natal da condição no Reino Unido foram interrompidas. Sobre o Brasil, o próprio autor ressalta a indisponibilidade de dados confiáveis.
Na avaliação de Lima, fatores econômicos, emocionais e culturais influenciam essas decisões, mas informações preconceituosas também podem subestimar as possibilidades de desenvolvimento e felicidade das pessoas com Down. Ele encerra o texto homenageando pais e mães, inclusive por adoção, que acolhem crianças com a condição.




