O professor e doutor em Planejamento Energético e Ambiental Luiz Henrique Lima defende que a política climática ocupe posição central na escolha de governantes e representantes. Em artigo, ele sustenta que os efeitos das mudanças climáticas já atingem a população e comprometem as condições de vida das próximas gerações.
Lima cita enchentes devastadoras, ondas de calor recordes e queimadas de grande escala como exemplos dessa realidade. Segundo sua análise, os impactos alcançam infraestrutura, biodiversidade, produção de alimentos, economia e saúde, além de potencializar crises e conflitos geopolíticos.
Ao mencionar o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o autor destaca a dimensão global do problema, seus efeitos de longo prazo e as interações entre processos ambientais, econômicos, políticos e sociais. Também recorda que a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima foi negociada em 1992, no Rio de Janeiro, e reúne 197 nações.
O professor recupera uma experiência de sua formação: a primeira aula do doutorado na COPPE-UFRJ, em 2004, na ilha do Fundão, na Baía de Guanabara. A disciplina Mudanças Climáticas Globais I era ministrada por Emilio Lèbre La Rovere e Roberto Schaeffer, colaboradores do IPCC, instituição que receberia o Nobel da Paz em 2007.
Segundo Lima, reler as anotações daquela aula mostrou que projeções então percebidas como distantes já se concretizaram. Ele considera, porém, que houve uma subestimação da capacidade da desinformação de atrasar medidas de transição energética e redução das emissões.
Na avaliação do autor, o negacionismo científico foi impulsionado por uma aliança entre interesses da indústria de combustíveis fósseis e a atuação de políticos e comunicadores oportunistas. Para ele, esse processo dificultou o avanço da economia rumo à sustentabilidade e deixou uma dívida ambiental para filhos e netos.




