O professor e escritor Luiz Henrique Lima defende que o enfrentamento da invisibilidade social exige tanto acesso à documentação quanto reconhecimento humano. Em artigo, ele aponta a falta de registro civil de nascimento como uma das manifestações mais graves da exclusão no Brasil.
Lima cita uma auditoria do Tribunal de Contas da União realizada em 2025 sobre o combate ao sub-registro civil, registrada no Acórdão 2.758/2025-P. Segundo o relato do autor, o trabalho identificou dados insuficientes e desatualizados, baseados em pesquisa de 2015 com limitações metodológicas, o que impede dimensionar adequadamente a população afetada.
O professor destaca que pessoas sem documentação enfrentam barreiras para ingressar no Bolsa Família, receber atendimento no SUS e acessar serviços e benefícios públicos. Ele também relata que o TCU encontrou obstáculos estruturais à emissão tardia do registro e recomendou melhorar a governança, atualizar dados, simplificar procedimentos e integrar políticas sociais aos serviços cartorários.
Para contextualizar o debate, Lima recorre a obras como Invisible Man, de Ralph Ellison, publicada em 1952, e The Other America, de Michael Harrington, de 1962. Também menciona o filósofo Axel Honneth, que relaciona invisibilidade social à falta de reconhecimento como sujeito de direitos.
No Brasil, o autor destaca Homens Invisíveis, de Fernando Braga da Costa, lançado em 2004, sobre a experiência de garis socialmente ignorados. Cita ainda a Política Nacional para a População em Situação de Rua, instituída pelo Decreto 7.053/2009.
Na avaliação de Lima, a exclusão atinge pessoas em situação de rua, trabalhadores informais e indivíduos sem certidão de nascimento. Ele sustenta que a cidadania começa no reconhecimento formal, mas depende também de um compromisso ético da sociedade, dos governos e das instituições para que essas pessoas sejam vistas e incluídas.




