A utilização da religião como instrumento eleitoral é criticada por Luiz Henrique Lima em artigo publicado originalmente no jornal O Globo em 9 de novembro de 1999 e retomado pelo autor com uma pergunta sobre sua pertinência. Professor e auditor substituto de conselheiro do TCE-MT, ele defende a separação entre Igreja e Estado e o combate à intolerância religiosa.
Como referência histórica, Lima lembra que a Constituição do Império, de 1824, estabelecia o catolicismo como religião oficial e permitia às demais crenças apenas o culto doméstico. Também menciona que o artigo 95 exigia dos candidatos a deputado a profissão da religião estatal e renda líquida de quatrocentos mil réis.
O autor considera a separação entre religião e poder público uma conquista republicana. Nesse contexto, critica tentativas de formar bancadas religiosas e lançar candidaturas identificadas com o que chama de fundamentalismo.
Lima distingue a participação política dos religiosos, que reconhece como direito de cidadania, do uso da fé como argumento eleitoral. Para ele, parlamentares podem compartilhar crenças e valores, mas ministros religiosos não devem transformar altares e púlpitos em palanques, pois esses espaços não favorecem o debate pluralista necessário à democracia.
O artigo também denuncia o que o autor descreve como ataques difundidos por meios de comunicação contra outras tradições religiosas, especialmente o espiritismo e as religiões de origem africana. Ele cita o episódio do chute na imagem de Nossa Senhora Aparecida ao condenar manifestações de intolerância.
Na avaliação de Lima, a fé pode contribuir para reconstruir vidas e famílias, mas não deve ser manipulada por interesses políticos. Ao republicar a reflexão, o autor convida os leitores a avaliar se os alertas formulados em 1999 continuam pertinentes.




