A comunicação nos últimos 15 dias de campanha deve priorizar a compreensão das propostas, e não apenas multiplicar mensagens. Essa é a avaliação da advogada e consultora política Mariana Bonjour, que, em sua coluna, discute os desafios da reta final das eleições de 2026.
Para a autora, aumentar publicações, criar slogans e ampliar eventos não resolve, por si só, problemas de posicionamento. Ela sustenta que a comunicação precisa organizar informações e explicar o que diferencia uma candidatura, sem presumir que o eleitor acompanhou toda a campanha.
Mariana também distingue atividade de resultado. Em sua análise, visualizações, curtidas e reuniões cheias não demonstram isoladamente compreensão das propostas ou apoio eleitoral. Alcance, engajamento, reconhecimento do nome e intenção de voto são indicadores diferentes, que precisam ser interpretados em contexto.
A consultora argumenta que as preocupações cotidianas da população, como alimentação, segurança, saúde e emprego, não deixam de ocupar espaço durante a disputa. Por isso, defende mensagens claras e contextualizadas, capazes de apresentar questões complexas sem esvaziar o debate.
Outro ponto destacado é o risco de a urgência prejudicar a verificação de informações. Mariana afirma que a divulgação de conteúdo falso ou deliberadamente distorcido pode comprometer a credibilidade construída ao longo da campanha. Ela menciona as regras da Justiça Eleitoral sobre desinformação e inteligência artificial em 2026, mas ressalta que a responsabilidade informativa não deveria depender apenas de sanções.
A coluna também lembra os prazos eleitorais. O primeiro turno será em 4 de outubro. Pelo calendário do TSE citado pela autora, a propaganda gratuita no rádio e na televisão e os comícios têm prazo final em 1º de outubro, observadas as condições legais. Material gráfico, caminhadas, carreatas e passeatas podem circular ou ocorrer até as 22h de 3 de outubro.
Na avaliação de Mariana, a votação encerra a disputa, mas não a relação com a sociedade: compromissos, mensagens e atitudes permanecem associados à trajetória pública dos candidatos.




