O colunista Mauricio Munhoz questiona a ideia de que o futebol brasileiro depende das casas de apostas para sobreviver. Em artigo escrito com Sara Nadur Ribeiro, ele critica um manifesto publicado por clubes na noite de quinta-feira, 17 de setembro, que associou uma proibição das bets ao risco de insolvência e ao “fim do futebol brasileiro”.

Munhoz, identificado no texto como Maurício Munhoz Ferraz, assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia, afirma que a proposta de Medida Provisória em elaboração pelo governo trata de cassinos on-line. Segundo o artigo, apostas esportivas, patrocínios e campeonatos ficam fora da versão atual, e está em estudo uma carência de 180 dias.

Para contestar a reação dos clubes, o autor cita cerca de R$ 1,1 bilhão anuais em patrocínios das bets e afirma que nenhum contrato supera 13% do orçamento de uma agremiação. Conforme os números apresentados por ele, o maior patrocínio do Flamengo corresponde a 12,85% da receita, e seis clubes começaram a Série A de 2026 sem patrocinador máster após perderem contratos com casas de apostas.

O colunista contrapõe esses valores às perdas das famílias. Citando o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, informa que elas perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025, cerca de 0,68% da renda disponível. Também menciona estimativa do LENAD III de 10,9 milhões de brasileiros com comportamento de jogo arriscado ou problemático.

Em Mato Grosso, segundo dados da CDL Cuiabá reproduzidos no artigo, R$ 261 milhões mensais foram destinados às apostas, dos quais R$ 41,4 milhões vieram de beneficiários do Bolsa Família.

Na avaliação de Munhoz, a dependência é sobretudo comercial, especialmente na Série B, e não uma condição de sobrevivência. Ele defende gestão profissional, equacionamento de dívidas e distribuição mais justa dos direitos de transmissão como alternativas ao que considera uma narrativa conveniente aos interesses dos patrocinados.