O contraste entre a participação de Mato Grosso nas urnas e sua relevância econômica é o tema da coluna de Mauricio Munhoz, escrita com Sara Nadur Ribeiro. No texto, o autor defende que a escolha dos representantes políticos é uma forma de os eleitores influenciarem decisões sobre o destino da riqueza produzida no estado.
Munhoz situa a reflexão no domingo, 4 de outubro, com abertura das urnas às 8h em Brasília e às 7h em Cuiabá, durante o período de plantio. Ele cita pouco mais de 2,6 milhões de eleitores, um dos dez menores colégios eleitorais do país, em contraste com o superávit comercial estadual de US$ 27,57 bilhões em 2025, o maior entre os estados brasileiros.
O colunista questiona a afirmação de que Mato Grosso responderia sozinho por quase metade do saldo comercial nacional. Em sua explicação, esse saldo resulta da compensação entre estados superavitários e deficitários. Por isso, tratá-lo como um total dividido em parcelas pode produzir percentuais que, somados, ultrapassam 100%.
Para Munhoz, corrigir essa comparação não reduz a importância econômica estadual. Ele argumenta, porém, que decisões sobre ferrovias, tarifas negociadas com Washington ou Pequim e tributação são tomadas longe dos locais de produção.
O autor lembra que Mato Grosso tem oito das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. No Senado, conta com três representantes, assim como São Paulo, e duas dessas vagas estão em disputa naquele domingo. Em sua avaliação, a igualdade entre estados no Senado funciona como contrapeso federativo.
Identificado na coluna como assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia, Munhoz conclui que, diferentemente do preço internacional da soja e do câmbio, a composição da bancada depende diretamente da escolha local nas urnas.




