O ex-governador e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) manifestou resistência à proposta que prevê o fim da escala 6x1. A discussão da PEC no plenário do Senado começa nesta terça-feira (6). Como tomará posse apenas no ano que vem, ele ainda não participa das votações.

Mauro defendeu menor interferência do Estado na relação entre empregados e empregadores e citou os Estados Unidos como referência. Segundo ele, brasileiros que trabalham naquele país conseguem ampliar a renda ao cumprir jornadas mais longas.

“Entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. E ganham por isso, e ganham muito mais por isso, e têm uma qualidade de vida melhor”, afirmou.

Também empresário, Mauro criticou a legislação trabalhista brasileira, que, em sua avaliação, cria obstáculos para empresas e trabalhadores. Ele alegou que uma jornada de 11 horas diárias poderia levar o empregador a responder por trabalho escravo. A declaração expressa o entendimento do senador eleito, não uma conclusão jurídica apresentada na reportagem.

Mauro ainda defendeu uma reforma mais ampla das regras e argumentou que o acesso à informação no mundo globalizado reduziria o espaço para exploração.

A PEC 221/2019 foi aprovada em setembro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto prevê dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial, e diminui a jornada máxima de 44 para 40 horas por semana, distribuídas em cinco dias de trabalho. Antes da votação em primeiro turno, serão necessárias cinco sessões de discussão.

A proposta é uma das bandeiras do presidente Lula (PT), que buscava aprová-la antes do primeiro turno. O debate começa às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Lula disputará a etapa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira votação na liderança.