O receio de descobrir uma doença e o tabu em torno do exame de toque ainda afastam homens dos consultórios, avalia o urologista Valter Gouvêia. Em entrevista ao Rdnews, o médico afirmou que fatores culturais ajudam a explicar a procura tardia por atendimento, embora perceba maior conscientização nas últimas duas décadas.
Segundo o especialista, diferentemente das mulheres, que frequentemente iniciam acompanhamento ginecológico na adolescência, muitos homens não mantêm uma rotina de cuidados após a infância. Ele relatou que familiares ainda têm papel importante para incentivar a busca por assistência.
Gouvêia destacou que o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas no início. Conforme explicou, as chances de cura superam 90% quando o diagnóstico ocorre precocemente. O médico citou o exame de sangue PSA e o toque retal como recursos usados nessa avaliação.
Na entrevista, o urologista recomendou acompanhamento anual a partir dos 50 anos para a população masculina em geral e dos 45 anos para homens negros ou com histórico familiar. Segundo ele, cerca de 10% dos casos são hereditários. Ao abordar a maior incidência entre negros, ressaltou que os estudos mais robustos vêm de outros países e que a miscigenação dificulta essa identificação no Brasil.
Sobre o tratamento, apontou a incontinência urinária e a disfunção erétil entre as consequências mais temidas. De acordo com Gouvêia, a cirurgia robótica permite visualizar melhor estruturas delicadas e pode favorecer sua preservação. Ele afirmou que a maioria dos pacientes consegue manter vida sexual ativa após o tratamento.
O especialista também defendeu cuidados que vão além dos exames, como atividade física, redução do consumo de álcool, combate ao tabagismo e controle da obesidade. Para ele, a discussão sobre saúde masculina deve incluir hábitos cotidianos e prevenção de diferentes doenças.




