A dificuldade de dividir tarefas nem sempre decorre da falta de técnicas de gestão. Na avaliação da psicóloga e empreendedora Cynthia Lemos, fundadora da Grandy Psicologia Empresarial, o medo de errar, decepcionar ou perder espaço pode sustentar a centralização, mesmo entre líderes que conhecem ferramentas de delegação.
Em sua coluna, Cynthia relata que, no início da trajetória empresarial, organizava a sede antes da chegada da diarista por receio de que o espaço não fosse arrumado à sua maneira. Naquele período, tinha dois estagiários para orientar, um cliente para visitar e um serviço para desenvolver. Segundo ela, o episódio ajudou a reconhecer sua própria participação na sobrecarga.
A autora também descreve o acompanhamento de um gestor encaminhado pela diretoria para trabalhar a descentralização. Embora dominasse conceitos de liderança, ele assumia demandas em excesso. Na interpretação da psicóloga, esse comportamento estava relacionado à história pessoal e ao medo, não à vaidade. Ela relata que a compreensão desse contexto permitiu mudanças na forma de liderar.
Cynthia ressalta que existem outras razões para concentrar responsabilidades, como evitar cobranças e conflitos, manter hábitos de quando o negócio não tinha equipe ou aprender o funcionamento de uma nova função. Neste último caso, observa, a concentração pode ser temporária.
Entre as medidas que propõe estão pedir à equipe exemplos concretos de centralização e criar uma pausa antes de assumir uma demanda por impulso. A psicóloga também defende a descrição clara de cargos, tarefas, entregas e responsabilidades.
Para a colunista, o autoconhecimento oferece sustentação às técnicas de gestão. Delegar, em sua avaliação, não significa abandonar o cuidado, mas aceitar que outras pessoas possam assumir responsabilidades e executar tarefas de maneira diferente.




