A maneira como uma pessoa interpreta suas próprias capacidades pode influenciar sua comunicação antes mesmo da primeira palavra. Essa é a avaliação de Michelli Egues, mestre em Direito, professora universitária, palestrante e mentora, em artigo sobre a relação entre diálogo interno e apresentações em público.

A autora argumenta que pensamentos como o medo de esquecer o conteúdo ou de não conseguir responder a perguntas podem se tornar obstáculos quando são tratados como verdades. Segundo ela, o problema não está simplesmente em ter uma ideia negativa, mas em permitir que essa percepção defina a própria identidade.

Com base em sua experiência em sala de aula e em treinamentos de comunicação, Michelli relata encontrar alunos preparados que chegam às apresentações já convencidos de que terão dificuldades. Na avaliação da professora, esse processo também pode ocorrer antes de reuniões, entrevistas de emprego, negociações e conversas difíceis.

Ela defende que questionar esses pensamentos ajuda a distinguir insegurança de falta de conhecimento. Também aponta uma diferença entre reconhecer que ainda se sente nervosismo ao falar em público e afirmar que não se sabe fazer isso: a primeira formulação, sustenta, admite uma dificuldade que pode ser trabalhada.

Michelli ressalta que essa atenção ao diálogo interno não substitui preparação, conhecimento e prática, nem se resume à repetição de frases positivas. Sua proposta é observar quando a narrativa pessoal passa a prejudicar o desempenho.

Para a autora, melhorar a comunicação envolve aprender a não interpretar o nervosismo como incapacidade e revisar as histórias que cada pessoa repete sobre si mesma.