Trocar de carreira não precisa significar abandonar imediatamente o emprego atual. A mestre em administração e mentora em transições de carreira Sônia Regina Guimarães defende que a mudança seja planejada conforme a realidade financeira, as habilidades e os objetivos de cada profissional.

Em entrevista, ela apontou a repetição de tarefas por muitos anos, ambientes de trabalho pouco saudáveis, falta de identificação com projetos e remuneração entre os motivos para buscar novos caminhos. A procura por qualidade de vida, segundo Sônia, também pode levar alguém a aceitar ganhos menores.

Os obstáculos não se limitam ao mercado. A mentora relata que pressão familiar, expectativas sociais e contas a pagar costumam dificultar a decisão. Por isso, recomenda começar com experiências pontuais, como trabalhos freelancers, antes de uma ruptura definitiva.

O planejamento, explica, envolve identificar o que a pessoa deseja deixar para trás, reconhecer competências, estudar o mercado e avaliar a viabilidade financeira da nova atividade. A necessidade de cursos ou de outra formação também deve entrar nessa análise, enquanto o profissional mantém sua fonte de renda.

Sônia orienta a formação de uma reserva financeira e desaconselha iniciar o processo com muitas dívidas. Outra possibilidade é a transição híbrida, combinando duas atividades ou reduzindo a jornada em uma delas, quando isso for viável.

Não há um prazo único para concluir a preparação. Segundo a entrevistada, sua mentoria compreende dez sessões de uma hora, mas já foi realizada em dois meses, quatro meses e até um ano e dois meses, dependendo da complexidade da mudança e do momento de cada pessoa.

A experiência anterior, ressalta, não precisa ser descartada: habilidades desenvolvidas em uma profissão podem ser aproveitadas em outra. Diante das transformações tecnológicas, ela também considera importante compreender ferramentas digitais e acompanhar tendências para se preparar para novas exigências do mercado.