A socióloga e cerimonialista pública Olga Lustosa defende que os afetos, o pertencimento e as condições econômicas têm peso na escolha eleitoral. Em coluna sobre as eleições de 2026, ela argumenta que a responsabilidade política deve impedir que a disputa se transforme em espetáculo ou confronto de torcidas, priorizando os efeitos das candidaturas sobre a vida da população.

Para dimensionar o pleito, a autora cita dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): mais de 158,7 milhões de pessoas aptas a votar no primeiro turno, crescimento de quase 1,5% ante 2022. O eleitorado está distribuído em 5.571 municípios e 186 cidades no exterior, onde quase um milhão de brasileiros devem votar.

Lustosa recorre ao livro Brasil no Espelho, do cientista político Felipe Nunes, para discutir religião e família como fatores que orientam o eleitor. Na leitura apresentada pela colunista, a polarização afetiva pode transformar a derrota do adversário no objetivo central do voto.

Ela também cita Biografia do Abismo, de Nunes e Thomas Traumann, ao abordar a chamada calcificação política: a vinculação rígida a grupos políticos que passa a integrar a identidade e afeta relações familiares e de amizade.

Segundo análise de Nunes mencionada pela autora, eleitores independentes representam entre 24% e 36% no Brasil e podem ser decisivos, assim como aqueles dispostos a mudar de lado. Lustosa ainda destaca o voto útil na reta final das campanhas.

A socióloga considera que o medo de perder benefícios sociais pode produzir um voto defensivo, voltado à proteção das condições materiais das famílias. Ao mesmo tempo, alerta para ameaças exageradas ou fabricadas durante o período eleitoral.

A coluna registra ainda 69 mulheres candidatas às 54 vagas em disputa no Senado, o maior número das últimas eleições, com duas candidatas em Mato Grosso. Lustosa ressalta o papel da próxima composição da Casa na escolha de pelo menos quatro integrantes do Supremo Tribunal Federal.