A socióloga e cerimonialista pública Olga Lustosa defende que a fé não pode servir de proteção a interesses criminosos. Em sua coluna, ela comenta denúncias envolvendo religiosos em Cuiabá e contrapõe esses episódios à trajetória de lideranças que atuaram pela justiça e pelos direitos humanos.
Um dos casos abordados envolve uma família de missionários denunciada pelo Ministério Público de Mato Grosso. Conforme o relato da colunista sobre a acusação, o trabalho religioso em presídios teria sido utilizado para fazer circular bilhetes escondidos em Bíblias, com arranjos para visitas íntimas e valores destinados à compra de armas para criminosos presos.
Lustosa também menciona uma notícia sobre a acusação de violência sexual contra uma menina de 8 anos, atribuída ao avô, um religioso que deveria levá-la à igreja. Para a autora, situações dessa natureza representam uma exploração da confiança associada à figura religiosa.
Como contraponto, a socióloga destaca o reverendo presbiteriano Jaime Wright e Dom Paulo Evaristo Arns. Ambos participaram clandestinamente do projeto Brasil: Nunca Mais, que reuniu documentos judiciais e revelou torturas, assassinatos e desaparecimentos durante a ditadura militar.
A autora ainda cita o pastor batista Martin Luther King como referência de liderança religiosa contra o racismo e a segregação. Na avaliação dela, essas trajetórias demonstram que a religião pode enfrentar injustiças, em vez de ocultá-las.
Lustosa ressalta que a solidariedade aos presos é um princípio humanitário e lembra a garantia constitucional de assistência religiosa. Ela pondera, porém, que não há dados oficiais comparativos que comprovem empiricamente a redução da reincidência pela religião.
Ao concluir seu posicionamento, a colunista propõe preservar a fé vinculada à justiça e à paz, recorrendo também ao exemplo de Dom Hélder Câmara.




