A oncologista Cristina Guimarães Inocêncio defende que a conscientização sobre cânceres ginecológicos seja acompanhada de vacinação, rastreamento e atenção a mudanças persistentes no organismo. Em artigo sobre a campanha Setembro em Flor, ela destaca que alguns desses tumores podem ser prevenidos e que o cuidado precisa considerar também os impactos do diagnóstico na vida das mulheres.
A médica cita estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero, 9.650 de endométrio e 8.020 de ovário no Brasil para cada ano do triênio 2026–2028.
Segundo Cristina, o câncer do colo do útero exemplifica a importância da prevenção porque sua principal causa é a infecção pelo HPV. Ela ressalta que a vacina está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única, e deve caminhar junto com o rastreamento de alterações que podem anteceder o câncer.
Entre os sinais que merecem atenção, a oncologista relaciona sangramento vaginal fora do período menstrual, após relações sexuais ou depois da menopausa, alterações ou persistência de corrimento, dor pélvica ou abdominal e aumento do volume abdominal. Ela pondera que esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas mudanças persistentes ou incomuns precisam ser investigadas.
Ao abordar sua experiência nos consultórios, Cristina relata encontrar, com frequência crescente, mulheres jovens diante de diagnósticos que afetam planos familiares, profissionais e reprodutivos. Por isso, defende um atendimento que vá além do tratamento do tumor.
A autora apresenta o Setembro em Flor, iniciado no Brasil em 2021, como uma oportunidade de ampliar informações sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Cristina é oncologista clínica, sócia-fundadora da Oncomed-MT e atua no Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá (ITC) e no Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico (Gapcan).




