Dor persistente, recusa em movimentar um braço ou dificuldade para apoiar o pé merecem atenção após quedas e pancadas na infância. O alerta é do ortopedista Fellipe Valle, que aborda o trauma ortopédico infantil em artigo preparado para o Dia das Crianças.

Segundo o autor, fraturas nem sempre provocam deformidades ou inchaço perceptível. A criança pode apenas deixar de usar o membro ou começar a mancar. Conseguir movimentar a região machucada também não exclui a possibilidade de fratura.

Valle recomenda avaliação médica quando houver dor importante, especialmente localizada, dificuldade para caminhar, hematoma ou inchaço crescente, posição anormal do membro ou sintomas que persistem ou pioram.

Ferida profunda, osso visível, sangramento que não cessa, dor muito intensa e dedos pálidos, arroxeados, frios ou dormentes exigem urgência, destaca. Em quedas de grande altura, atropelamentos, impactos fortes ou suspeita de lesão na cabeça, no pescoço ou nas costas, a orientação é acionar o serviço de emergência. O SAMU atende pelo 192.

Nos primeiros minutos, o ortopedista orienta interromper a atividade, acalmar a criança e evitar movimentar o membro lesionado, mantendo-o na posição encontrada. Não se deve tentar corrigir deformidades nem apertar a região. Se houver suspeita de trauma na cabeça, no pescoço ou nas costas, é preciso evitar mover a criança enquanto se busca socorro.

Ferimentos devem ser cobertos com pano limpo ou gaze, sem empurrar um eventual osso exposto. Para lesões aparentemente leves, com a criança bem, uma compressa fria envolta em tecido pode aliviar o desconforto. O gelo não deve tocar diretamente a pele.

Valle ressalta que algumas lesões podem atingir a placa de crescimento dos ossos e necessitar de acompanhamento. Na suspeita ou confirmação de fratura, o retorno a esportes e brincadeiras com impacto deve seguir a orientação da equipe responsável pelo atendimento.