Dividir os cuidados com a saúde em ações menores pode ajudar a superar o hábito de adiá-los. Essa é a proposta defendida pelo médico ortopedista Fellipe Ferreira Valle em artigo no qual relaciona uma palestra sobre gestão do tempo à preservação da saúde articular.
O autor conta que a reflexão surgiu ao ouvir Rafael Medeiros apresentar o chamado “Protocolo Jaqueline”, uma brincadeira com a expressão “já que”. A ideia consiste em realizar uma tarefa simples que facilite a seguinte, em vez de encarar todas as mudanças necessárias como um único grande projeto.
Na interpretação de Valle, esse raciocínio pode ser aplicado a pessoas que precisam retomar exercícios, fortalecer a musculatura, fazer fisioterapia ou buscar avaliação para uma dor. O primeiro passo, sustenta, deve ser pequeno o suficiente para reduzir a distância entre a intenção e a ação.
O ortopedista argumenta que adiar cuidados não interrompe as mudanças do organismo. Ele aponta que a inatividade pode provocar perda de massa e força muscular, enquanto algumas doenças articulares podem progredir e comprometer atividades antes realizadas com facilidade.
Valle ressalva, porém, que nem toda dor indica uma lesão importante e nem todo desconforto exige exames ou procedimentos. Sua preocupação está nos sintomas persistentes, na perda de função e nas limitações progressivas, que, segundo ele, não deveriam ser simplesmente incorporados à rotina.
Outro ponto abordado é a tendência de priorizar a saúde apenas durante episódios de dor. Para o autor, preservar a capacidade de caminhar, a força e a prática esportiva também requer atenção nos períodos sem sintomas.
Professor de Medicina, pesquisador em Medicina Regenerativa e diretor técnico da Regend, Valle conclui que a longevidade articular depende do acúmulo de pequenas decisões ao longo do tempo, e não apenas de uma mudança futura de grande alcance.




