Ampliar o acesso de mulheres e meninas a um atendimento sensível e a encaminhamentos efetivos é a prioridade apresentada pela desembargadora Maria Erotide Kneip para a Ouvidoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Em entrevista ao Rdnews, ela afirmou que pretende utilizar as 100 Redes de Enfrentamento à Violência contra a Mulher existentes no estado para divulgar o serviço.

Também responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEMulher), a magistrada explicou que a Ouvidoria já existia desde 2021 e passou a ter autonomia administrativa e funcional após ser desmembrada da Ouvidoria Geral. Segundo ela, a Resolução nº 15 foi assinada em 17 de novembro de 2025 e publicada no fim daquele mês. Na entrevista, ainda não havia relatos de demandas dessa nova etapa.

Para a desembargadora, romper o ciclo de agressões exige coragem, acolhimento sem críticas, apoio psicológico e orientação jurídica. Ela apontou o medo de não ser acreditada como um dos principais obstáculos relatados pelas vítimas, além da dependência econômica e das dificuldades envolvendo filhos quando o agressor é o pai.

Maria Erotide defendeu que o enfrentamento não se limite à legislação. Citou ações educativas realizadas pela CEMulher em parceria com as redes estadual e municipais de ensino, além dos Grupos Reflexivos de Homens, voltados à conscientização de agressores.

A magistrada também se posicionou a favor de uma delegacia da mulher com atendimento 24 horas em Várzea Grande. Conforme dados do TJMT apresentados por ela, o município expediu 1.163 medidas protetivas até outubro de 2025, média diária de quatro.

Na avaliação da desembargadora, ampliar a proteção em regiões distantes depende da articulação entre instituições locais e da definição de fluxos de atendimento. Ela informou que a instalação de redes municipais continuaria em 2026, para alcançar os municípios ainda não contemplados.