Sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento intestinal e perda de peso sem explicação precisam ser investigados, defende o médico patologista Carlos Aburad em artigo sobre o Setembro Verde, campanha de conscientização e prevenção do câncer de intestino. Para ele, atribuir esses sinais automaticamente a problemas digestivos comuns pode atrasar o diagnóstico.
O autor cita estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de 53.810 novos casos anuais de câncer de cólon e reto no Brasil para o triênio 2026–2028: 26.270 entre homens e 27.540 entre mulheres. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a terceira posição entre os cânceres mais frequentes no país.
Aburad explica que o tumor pode se desenvolver durante anos a partir de pólipos, sem causar sintomas. Ele também relaciona como sinais de atenção episódios recorrentes de diarreia ou constipação, dor abdominal, sensação de evacuação incompleta, fraqueza e anemia sem causa esclarecida. Ressalta, porém, que nem todo sintoma significa câncer.
Na avaliação do médico, alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso e redução do consumo de carnes processadas, álcool e tabaco ajudam a diminuir o risco, mas não substituem acompanhamento médico nem rastreamento quando indicado.
Entre os exames, o artigo destaca a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia. Esta permite examinar o intestino grosso e, em determinadas situações, retirar pólipos. A definição da estratégia deve considerar idade, histórico familiar, sintomas e outros fatores de risco, conforme orientação médica.
O patologista registra ainda que o Brasil passou a elaborar, em 2026, uma diretriz específica para o rastreamento do câncer de cólon e reto. Diante de lesões suspeitas, ele destaca o exame anatomopatológico como etapa que permite confirmar ou descartar câncer e fornecer informações para planejar o tratamento.
A mensagem central de Aburad é não banalizar alterações persistentes: procurar avaliação em tempo oportuno pode permitir a identificação de lesões precursoras ou da doença em fase inicial.




