A Polícia Civil investiga uma denúncia de manifestações racistas e misóginas em grupos de WhatsApp usados por estudantes de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Segundo o boletim de ocorrência, os episódios aconteceram entre os dias 3 e 4 de outubro e envolveram mensagens, áudios e figurinhas.

O registro aponta que a discussão começou no grupo “Informes - Economia”, administrado pelo Centro Acadêmico. Durante um debate político, um participante teria publicado uma figurinha que mostrava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a pele negra e associado à imagem de um bandido. O documento descreve o conteúdo como racista.

Outro estudante teria usado a expressão “eae carvão” ao se dirigir a um colega. Dois participantes foram excluídos, e os administradores restringiram o envio de mensagens.

Conforme o boletim, a discussão teria continuado no grupo “Geral”, administrado pela Atlética Monopólio. Nesse espaço, foram registrados ataques à população negra e às mulheres, incluindo uma figurinha que associava o feto de uma mulher negra à imagem de um macaco. Áudios e uma mensagem com referência a uma “peixeira”, descrita no registro como ameaça, também foram encaminhados à polícia.

Em nota, a UFMT informou que a Ouvidoria encaminhou a denúncia à unidade responsável nesta segunda-feira (5) e que já adota as providências administrativas cabíveis. O procedimento está sob sigilo, sem divulgação de nomes, quantidade de envolvidos ou detalhes das manifestações. A instituição assegurou que seguirá suas normas, com contraditório e ampla defesa.

O Centro Acadêmico repudiou os conteúdos, confirmou as restrições no primeiro grupo e cobrou apuração. Para a entidade, os episódios não representam simples divergência política, mas manifestações que atingem a dignidade de mulheres e da população negra.

Procurada pela reportagem de origem, a Atlética Monopólio não havia respondido até a publicação.