A formação para acompanhar as mudanças tecnológicas precisa reunir conhecimento técnico, aprendizado contínuo e autoconhecimento, na avaliação da pró-reitora da UniSenai, Ana Cristina Caldart. Em entrevista, ela abordou as demandas da agroindústria de Mato Grosso e defendeu maior participação das empresas na preparação de profissionais.

Segundo Caldart, a instituição direciona seus cursos às necessidades da indústria, que busca engenheiros de software, de produção e de automação e controle, além de analistas de dados e profissionais de recursos humanos e logística.

A pró-reitora informou que a UniSenai tem 16 cursos e anunciou, para o ano seguinte ao da entrevista, duas novas formações: mecatrônica industrial e ciências de dados e inteligência artificial.

Sobre a IA, Caldart afirmou que a ferramenta exige responsabilidade e capacidade de avaliar as respostas produzidas. Para ela, saber formular comandos não dispensa formação técnica nem discernimento para identificar informações incorretas. Na educação, defende que os professores incorporem as transformações tecnológicas às práticas de ensino.

A gestora também considera o autoconhecimento e a autorresponsabilidade habilidades centrais para a qualificação. Em sua avaliação, reconhecer interesses, limitações e potencialidades ajuda a orientar escolhas profissionais e desenvolver competências.

Ao discutir a dificuldade de contratação, Caldart citou o Observatório da Indústria, segundo o qual há 15 mil vagas abertas à espera de profissionais preparados. Ela sugeriu que o empresariado participe mais diretamente dessa formação.

Como referência, relatou ter integrado, em fevereiro de 2026, uma comitiva à Alemanha para estudar o ensino dual. Nesse modelo, explicou, a empresa investe no trabalhador, que combina atividades na indústria com estudos em uma instituição de ensino. Para a pró-reitora, essa pode ser uma alternativa para formar profissionais conforme as necessidades das empresas.