O debate sobre saúde mental precisa enfrentar tanto o silêncio em torno do suicídio quanto a banalização dos transtornos, avalia a psicóloga Gina Coelho. Em entrevista no contexto do Setembro Amarelo, ela destacou que condições de trabalho, acesso à saúde e redes de apoio devem integrar a discussão sobre o adoecimento da população.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam aumento de quase 50% nas mortes por essa causa entre jovens de 15 a 19 anos, de 2016 a 2021.
Para Gina, o receio de abordar o assunto está ligado a tabus transmitidos entre gerações. Ela também critica a interpretação de que depressão seria “falta de Deus”, por considerar que esse discurso pode afastar pessoas da busca por atendimento.
A psicóloga classifica o adoecimento mental como multifatorial. Na avaliação dela, ambientes profissionais abusivos, dificuldades para garantir alimentação e cuidados aos filhos, falta de saneamento e barreiras ao atendimento influenciam a saúde mental. Relações sociais e uma rede de apoio também precisam ser consideradas.
Outro alerta envolve o uso indiscriminado de termos clínicos. Gina observa que mudanças de humor ou momentos de expectativa não devem ser automaticamente tratados como transtornos. Ela considera desrespeitoso empregar “bipolar” de forma pejorativa e associa o autodiagnóstico ao risco de automedicação.
Sobre crianças e adolescentes, a entrevistada aponta o excesso de exposição digital, a sobrecarga de atividades e as perdas vividas na pandemia entre os fatores que, em sua avaliação, contribuem para o sofrimento emocional.
Gina defende ainda que os responsáveis cuidem da própria saúde mental e busquem conhecimento para orientar os filhos na compreensão das emoções e no enfrentamento das frustrações.




