A redução dos focos de calor e dos incêndios florestais em 2025 no Pantanal e no Cerrado mato-grossenses não permite concluir que exista uma tendência consolidada de melhora. A avaliação é do ecólogo Alexandre Enout, gestor da RPPN Sesc Pantanal, que atribui o resultado à combinação de condições climáticas favoráveis e maior capacidade de prevenção e resposta.

Segundo ele, as chuvas ficaram dentro da média no início do ano, com volume acima da média em abril. Precipitações esparsas em agosto e setembro, incomuns nesse período, também ajudaram a manter solo e vegetação úmidos.

Enout ressalta que, entre 2019 e 2024, houve redução acentuada da precipitação. Por isso, considera 2025 um resultado pontual. Na entrevista, afirmou que a percepção de formação do La Niña ainda não estava confirmada e que não havia estudos indicando alteração definitiva do padrão climático.

O gestor também destaca o fortalecimento das instituições após os incêndios de 2020, com investimentos em equipamentos, pessoal e capacitação. Na avaliação dele, equipes mais preparadas conseguem atuar melhor quando a umidade reduz a intensidade das chamas.

A prioridade, defende, deve continuar sendo a prevenção. Abertura de aceiros, formação de brigadistas, aquisição de equipamentos e educação ambiental compõem o Manejo Integrado do Fogo. Embora considere essas medidas menos custosas que o combate emergencial, Enout não apresentou um percentual de economia, porque os custos variam conforme a ocorrência.

O especialista alerta que as mudanças climáticas mantêm a perspectiva de aumento da frequência e da intensidade dos incêndios. Ele cita levantamento do MapBiomas segundo o qual, entre 1985 e 2023, o Pantanal passou a alagar uma área menor e permanecer seco por mais tempo no ano.

Quanto à recuperação dos danos de 2020, Enout afirma que cinco anos são insuficientes para avaliar o bioma como um todo. A análise, ressalta, exige pesquisas contínuas e dados de longo prazo.