A redução do atendimento presencial nos bancos impõe dificuldades a clientes que dependem de dinheiro em espécie ou têm pouca familiaridade com aplicativos, segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (Seeb-MT), João Dourado. O dirigente afirma que apenas 2% das operações são presenciais e que esse grupo reúne principalmente idosos e aposentados com barreiras no uso de ferramentas digitais.
Uma cliente que preferiu não se identificar relatou ter recebido R$ 7 mil em cédulas variadas e encontrado dificuldades para depositar notas de R$ 10 e R$ 5, recusadas pelo terminal utilizado. Segundo seu relato, ela percorreu várias agências do banco até localizar uma urna de depósito em uma unidade na Avenida Historiador Rubens de Mendonça.
A transformação ocorre em meio à ampliação dos investimentos tecnológicos. Conforme a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o setor prevê aplicar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026. A entidade informa que 98% dos serviços estão disponíveis em canais remotos e que as transações por aplicativos móveis superam 240 bilhões por ano.
Para Dourado, a mudança também afeta o emprego. Segundo ele, entre 2016 e 2026 foram encerrados 92 mil postos de trabalho bancários no país, sendo 50 mil na rede pública. O sindicalista afirma que há bancos tradicionais com metas de transferir todo o atendimento para o ambiente digital até 2030.
O dirigente também aponta preocupação com golpes eletrônicos e critica a ausência de exigências que garantam agências nos municípios.
Dados de uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), de 2025, mostram que 97,6% dos aposentados e pensionistas ouvidos sobre descontos indevidos no INSS disseram não ter autorizado as cobranças. Mais de 40% dos aposentados consultados não conheciam o aplicativo Meu INSS. Os resultados se referem ao público ouvido nessa apuração.




