Após três dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri. A decisão foi anunciada na madrugada desta sexta-feira (02) e cabe recurso.

As penas somam 68 anos, 9 meses e 30 dias de prisão. Antônio recebeu 21 anos, 10 meses e 15 dias; Hedilerson, 25 anos; e Caçadini, 21 anos, 10 meses e 15 dias. A confissão de Antônio e a idade superior a 60 anos de Caçadini foram consideradas para as penas menores.

Os três foram considerados culpados por homicídio qualificado por promessa de recompensa, recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de uso restrito.

O Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público de que Antônio executou o crime, Hedilerson foi o contratante e dono da arma, e Caçadini financiou a ação. Segundo a denúncia, o coronel teria pago R$ 40 mil pela execução, enquanto Hedilerson teria emprestado a arma.

Durante o julgamento, iniciado na terça-feira (29), Antônio confessou o assassinato. Sua defesa alegou inimputabilidade e uma suposta motivação ligada à revolta contra a corrupção. O juiz José Mauro Nagib Jorge rejeitou o pedido de incidente de insanidade mental, afirmando que o interrogatório não revelou sinais concretos de comprometimento mental.

Hedilerson negou o empréstimo da arma e sustentou que foi enganado por Antônio. A defesa de Caçadini também negou envolvimento do coronel na articulação do homicídio.

Zampieri foi morto na noite de 5 de dezembro de 2023, ao entrar em seu Fiat Strada, próximo ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Segundo policiais, cerca de dez tiros foram disparados contra ele.

A análise do celular do advogado após o crime levou a investigações sobre suposta venda de sentenças envolvendo um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O homicídio não tem relação com o lobista ou os magistrados afastados.